A História que o Brasil Escondeu
Um relatório desaparecido por quase meio século revela inúmeros crimes contra povos indígenas durante a ditadura militar brasileira — e levanta uma pergunta urgente: é possível fazer justiça quando o próprio Estado tentou apagar as provas?
A verdade pode chegar por vários caminhos
Uma investigação no interior do Brasil, nos anos de chumbo da ditadura militar, revela crimes contra povos indígenas cometidos com a conivência do próprio Serviço de Proteção ao Índio (SPI) — abalando a imagem do país no exterior. O relatório, produzido em 1967 pelo procurador Jader Figueiredo com mais de sete mil páginas de provas, desaparece misteriosamente. A Comissão Nacional da Verdade (CNV), criada em 2012, inicialmente não previa a inclusão de vítimas indígenas. A redescoberta do relatório, 45 anos após sua produção, pelo ativista Marcelo Zelic, transforma os rumos da Comissão. Ele consegue provar que os povos indígenas também foram vítimas da ditadura. O documentário parte do olhar de uma jovem indígena ativista digital que pesquisa o Relatório Figueiredo.
Enquanto o relatório desaparecia dos arquivos oficiais, a imprensa brasileira e internacional registrava o que estava sendo escondido
Separados no tempo, ligados pela mesma pergunta: o que o Estado tentou apagar — e por quê
Autor do relatório de sete mil páginas que expôs os crimes contra os povos indígenas — e viu seu próprio trabalho desaparecer.
Ativista que redescobriu o relatório 45 anos depois e provou que os povos indígenas também foram vítimas da ditadura.
Personagem que conduz o olhar do documentário, investigando o Relatório Figueiredo nas redes e nos arquivos de hoje.
A voz desses povos é fundamental para entendermos a construção da nossa sociedade
Toque em um ano para abrir o que aconteceu naquele momento da investigação
A Comissão Nacional Indígena da Verdade ainda não foi criada. As violações reconhecidas em 2014 seguem sem reparação plena, enquanto novos conflitos por terra e pela vida dos povos originários continuam. Uma pauta que este documentário busca ampliar.
O golpe civil-militar de 1964 representou, para os povos indígenas, a intensificação de uma violência histórica, agora sistematizada pelo Estado. A repressão não atingiu apenas opositores do regime, mas também populações consideradas obstáculos ao projeto de desenvolvimento econômico. Criada em 2012, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) tinha como objetivo investigar violações de direitos humanos entre 1946 e 1988, mas inicialmente não incluía os crimes contra os povos indígenas.
Esse cenário começou a mudar quando o pesquisador Marcelo Zelic recebeu um e-mail do indígena Kaxalpynia Runayke, do povo Yagua, questionando essa ausência. A partir disso, iniciou-se uma investigação que levou à descoberta de materiais fundamentais, como o filme Arara, de Jesco Von Puttkamer — oculto por mais de 40 anos — e o Relatório Figueiredo, desaparecido por quase meio século.
Em 2014, a CNV reconheceu a responsabilidade do Estado brasileiro — por ação ou omissão — em graves violações contra os povos indígenas durante a ditadura, apontando que, em apenas 10 etnias, ao menos 8.350 indígenas foram mortos. Esse reconhecimento marca um passo importante rumo à memória, verdade e justiça. Marcelo Zelic, falecido em 2023, deixou como legado essa luta e a defesa da criação de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade.
"O índio, razão de ser do SPI, tornou-se vítima de verdadeiros celerados, que lhe impuseram um regime de escravidão e lhe negaram um mínimo de condições de vida compatível com a dignidade da pessoa humana."
JAder Figueiredo
cambaracine@gmail.com
EM ANDAMENTO
Em 2023, estreou na direção de longa-metragem com o doc Roberto Farias, memórias de um cineasta exibido no Festival de Gramado e pelo Festival Internacional do Rio.
Coprodutor do documentário “ As Escrevivencias de Maria Firmina dos Reis” (Canal Curta!). Desenvolveu e produziu diversos projetos com a Mapa Filmes para GNT, Canal Brasil e salas de cinema.
Diretor de Fotografia, fotografou longas de destaque, como Minha Fama de Mau (2019), Capitães da Areia (2011) e Juízo (2007).
Diretora de Produção com grande experiência no bioma amazônico e Terras Indígenas.